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Mistura de drogas ameaça saúde de jovens


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  • Usuário Growroom
20/06/2004  - 04h42

Mistura de drogas ameaça saúde de jovens

FERNANDA MENA

da Folha de S.Paulo

Ecstasy, maconha, cocaína e quetamina. O que parece o resultado de uma apreensão de entorpecentes feita pela polícia é, na verdade, uma das várias combinações de drogas que vêm sendo ingeridas por usuários em uma só noite.

Esses experimentos kamikazes alavancam os já altos riscos de consumo de drogas ilícitas e têm desafiado especialistas em dependência e prevenção, que ainda não conseguem prever os perigos imediatos e os efeitos a longo prazo desses coquetéis.

Três psiquiatras consultados pela Folha confirmam: usuários de coquetéis de drogas já bateram à porta de seus consultórios, e a demanda por tratamento só aumentou no último ano.

A idéia de transcender a consciência, própria dos anos 60 e 70, foi enterrada pela busca individual e imediata do prazer físico, potencializada agora por essas misturas. Muitas delas ainda levam um ingrediente extra: o Viagra, o mais popular medicamento para disfunção erétil.

E, aí, vale tudo: ecstasy com cocaína e Viagra, anfetaminas com ecstasy e Viagra, ecstasy com cocaína, Viagra e quetamina (tipo de anestésico), e por aí vai.

Nos Estados Unidos, essas experiências com combinações de drogas ganharam até um site, no qual usuários relatam o que usaram e quais os efeitos obtidos (www.erowid.org/experiences).

Até pouco tempo atrás, especialmente na Europa, o máximo da perversão psicotrópica era usar o chamado "speedball", uma associação de heroína e cocaína. Hoje, no Brasil, uma mistura de fabricação caseira é experimentada em festas de classe média alta: o "trimix", uma combinação explosiva de ecstasy, Viagra e ácido lisérgico usada por turmas de São Paulo e do Rio.

"Tomei em umas festas que costumávamos chamar de hospício, de tão loucas que as pessoas ficavam. O pessoal encomendava a mistura a algum traficante, que fabrica as cápsulas de forma caseira. E o pessoal envolvido não abre a história para ninguém, porque morre de medo da polícia", relata Mauro (nome fictício), 30, que afirma ter se afastado da "galera trimix" após perceber que estava entrando numa pior.

"Com trimix, em geral sentia um calor intenso e muita sensibilidade para qualquer toque ou som." Segundo Mauro, o trimix dá uma "falsa percepção de que a maioria das pessoas é interessante e atraente", altera a percepção visual, aumenta muito a libido e promove "ereção prolongadíssima e performance sexual extremamente potencializada, além de liberar seus desejos mais ocultos".

Parece bom? "A longo prazo, já vi casos de problemas cardíacos, depressão e impotência por uso do trimix", diz o ex-usuário.

"Existe realmente uma tendência de misturar drogas ilícitas. E é óbvio que ficar brincando de alquimista com a própria cabeça aumenta o risco de que algo muito errado aconteça", afirma Rolando Laranjeira, coordenador da Uniad (Unidade de Álcool e Drogas) da Universidade Federal de São Paulo. "O Viagra ainda potencializa essas combinações."

Márcia Kayath, gerente de saúde masculina da Pfizer, fabricante do Viagra, diz que a empresa só incentiva o uso do medicamento para casos de disfunção erétil. Segundo ela, "o Viagra só é vendido sob prescrição médica". Na prática, porém, usuários dizem que é fácil comprá-lo sem receita.

Sexo artificial

Segundo quem mistura Viagra com drogas ilícitas, o remédio potencializa os efeitos das drogas tomadas e ainda funciona como garantia de uma superperformance sexual no final da balada.

"O corpo pode estar supercansado, mas, ao menor estímulo, você fica excitado e consegue transar por horas e horas", diz o publicitário Paulo (nome fictício), 22, que costuma fazer misturas com Viagra e já provou o trimix.

"É uma fórmula do diabo", avalia o psiquiatra Elisaldo Araújo Carlini, diretor do Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), da Unifesp. "Algumas drogas aumentam a libido mas nem sempre permitem uma ereção. Se o corpo não reage ao estímulo e o sujeito vai lá e toma um Viagra, ele acabará fazendo um esforço que vai além de sua capacidade física naquele momento. Isso sobrecarrega o coração, o que pode gerar taquicardia ou mesmo infarto."

A diretora do programa de saúde urbana da Universidade Harvard (EUA), Patricia Case, em entrevista à Associated Press, alertou que "já houve casos de morte pelo uso de Viagra com drogas ilícitas" naquele país. "Eles só não foram divulgados", disse.

"As pessoas ficaram enlouquecidas com as promessas do Viagra e, ao associá-lo a drogas, sabem que estão correndo riscos. Não se pode usar drogas de qualquer maneira", afirma Mônica Gorgulho, presidente da Rede Brasileira de Redução de Danos.

"É hedonismo puro", diz o psiquiatra Alexandre Saabeh, do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas, que afirma ter relatos de coquetéis de drogas envolvendo Viagra feitos por adolescentes. "O usuário reforça o contato físico e a potência sexual, mas obtém isso de forma artificial", diz. "Pior: o custo disso só vamos saber daqui a algum tempo."

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  • Usuário Growroom
20/06/2004  - 04h31

93% misturam ecstasy com outras drogas

da Folha de S.Paulo

Cai o mito da droga do amor, o ecstasy. Seus efeitos mais procurados --bem-estar e aumento do desejo sexual-- cada vez mais parecem precisar de um empurrãozinho de outras substâncias ilícitas e até mesmo do Viagra, medicamento para disfunção erétil.

"Há uma conseqüência evidente no uso prolongado de ecstasy: quanto mais o usuário toma, menos sentirá seus efeitos considerados agradáveis e prazerosos", explica Dartiu Xavier, coordenador do Proad (Programa de Orientação e Assistência a Dependentes), ligado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

"Isso pode explicar o fato de as pessoas hoje misturarem ecstasy com outras drogas e com o Viagra, que funciona como uma garantia de potência na hora do ato sexual", diz o coordenador.

Segundo um estudo sobre padrões de uso de ecstasy realizado pelo Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo) e publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria em 2003, 93,3% dos usuários de ecstasy associam a pílula do amor a outras drogas psicoativas, como maconha, LSD, cocaína e anfetamina, o que, segundo o estudo, aumenta o risco de reações tóxicas.

O consumo da droga foi detectado em jovens de classe média alta e, segundo o estudo, mais do que frustração e insatisfação, seu uso combinado está associado "simplesmente a um experimento hedonista".

Para o psicanalista Tales Ab'Saber, do Instituto Sedes Sapientiae, esse tipo de comportamento é próprio da atual cultura do excesso e do consumo, que é um convite permanente à excitação.

"Toma-se de tudo. É um caldeirão no qual o sujeito usa uma droga para atenuar o efeito colateral de outra e assim por diante", diz o psicólogo Murilo Battisti, autor de um estudo sobre uso de ecstasy.

Ele chama a atenção para o fato de os profissionais de pronto-atendimento de hospitais e centros de saúde ainda estarem despreparados para lidar, em casos de emergência, com os possíveis efeitos dos coquetéis de drogas consumidos atualmente.

Muitas especulações já foram feitas sobre os componentes do ecstasy. Isso porque pesquisas internacionais detectaram que as pílulas vendidas no início dos anos 90 poderiam conter de açúcar a estricnina (veneno).

Kit de pureza

Nos Estados Unidos e na Europa, organizações de redução de danos chegaram a criar kits de teste de qualidade da droga --um líquido que, em contato com uma pequena lasca da pílula de ecstasy, resulta em uma cor que indica o grau de pureza e as substâncias diferentes do MDMA (o princípio ativo do ecstasy) presentes --para evitar danos ainda maiores aos usuários da droga.

No Brasil, uma pesquisa inédita, concluída neste ano, verificou a composição de alguns comprimidos de ecstasy que circularam no país entre 1996 e 2002. As amostras analisadas eram oriundas de 25 apreensões feitas pelo Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) e foram testadas pelo farmacêutico bioquímico Silvio Lapachinske, 40, autor do estudo realizado com o Departamento de Análises Toxicológicas da USP. O resultado apontou para um alto grau de pureza das amostras, mas para uma grande variação da quantidade do psicoativo em cada comprimido.

Das 25 amostras analisadas, 21 continham apenas MDMA (metilenodioximetanfetamina, o princípio ativo do ecstasy), uma continha MDMA e cafeína, uma era feita de MDEA (metilenodioxietilanfetamina, substância análoga do MDMA), uma continha apenas metanfetamina e outra somente anfetamina. Tanto a metanfetamina quanto a anfetamina são ainda mais tóxicas que o princípio ativo original do ecstasy.

"Apesar de 84% das amostras serem de MDMA, elas apresentam uma variação quantitativa grande", explica Lapachinske. "Entre pílulas com o mesmo logotipo, uma tinha 30,9 miligramas de MDMA e outra tinha 92,7 miligramas do psicoativo", diz.

Segundo ele, isso pode indicar falta de rigor na produção, além de tentativas dos laboratórios de falsificar "marcas" já conhecidas, no mercado de drogas, por sua potência.

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  • Usuário Growroom

Hehe... embora tenha nascido fora d época, acho q me enquadro na galera q procurava expandir os horizontes da consciência....

Pq senão, as drogas, q antes significavam liberdade, fuga d preceitos e condições, passam a significar prisão, dependência... e não acho isso válido..

Abaixo sintéticos!!!!!!!!

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