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Maconha!!!


Smokeweedallday

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  • Usuário Growroom

Maconha e Cigarro

O uso da maconha não pode ser comparado ao uso do cigarro ou álcool em pequenas quantidades. O cigarro nunca é saudável, mas não possui o efeito psicotrópico da maconha, e é justamente sob este aspecto que fica a diferença. Uma pessoa que use maconha tem como finalidade alcançar um estado diferente do normal; uma pessoa que fume cigarro procura status ou prazer. O objetivo de alcançar um estado diferente de percepção sentir-se como num sonho ou para relaxar-se, indica que existe uma deficiência psicológica: os problemas externos são muito fortes sendo necessária uma forma de compensação dessa tensão, ou o indivíduo que fuma maconha está fraco o suficiente para não enfrentar seus problemas naturais. O uso da maconha para ambas as situações é equivocado e levará a problemas maiores. Nesse caso o problema não está na maconha, mas no comportamento de fuga. A adolescência é a preparação para a vida adulta que por natureza é mais difícil devido à maturidade que será alcançada com o tempo e paciência. Quando um adolescente foge de seus problemas está plantando o hábito da fuga para a vida adulta. Talvez, através da própria maconha quando for adulto. A maconha dificilmente é usada com a mesma intensidade do cigarro. É comum encontrar uma pessoa que fume vinte ou trinta cigarros por dia, mas mesmo para o mais pesado usuário de maconha dificilmente chegaria a tanto. Como os efeitos maléficos do cigarro são diretamente proporcionais a intensidade do uso, dificilmente um usuário de maconha terá os mesmos problemas do usuário do cigarro como câncer ou enfisema. Contudo os efeitos maléficos da maconha são outros, atingem com certeza o comportamento e a personalidade dos usuários, além da síndrome amotivacional atribuída ao uso pesado e prolongada da maconha. A maconha talvez não encurte a vida de uma pessoa como faz o cigarro, mas certamente compromete a qualidade dos anos vividos.

Efeitos Biológicos

Imediatos

Durante a fase de intoxicação que é quando se sente os efeitos considerados agradáveis o usuário apresenta um avermelhamento dos olhos, aumento do apetite, ressecamento da boca, aceleração dos batimentos cardíacos.

Os efeitos mais comumente relatados quanto ao funcionamento mental são aumento da sensibilidade aos estímulos externos revelando cores e detalhes não percebidos antes. A percepção do tempo também é afetada passando a ser sentida como se estivesse mais lento. Sensações de que o mundo está diferente, distante ou de que houve uma mudança em si mesmo, como se não fosse a mesma pessoa ou se estivesse sonhando. Como efeito imediato há um prejuízo na memória de curto prazo, na amplitude da atenção, na capacidade de recordação e de reter conhecimento. Prejuízo na capacidade de realizar tarefas que apresentem múltiplas etapas. A capacidade de traduzir em palavras o que se pensa também fica prejudicada. As capacidades motoras também ficam prejudicadas como a capacidade de exercer a força muscular original, inibição dos reflexos, descoordenação e desequilíbrio podem ocorrer em doses mais altas. O álcool aumenta o prejuízo motor.

Longo prazo

Tem sido muito estudado os prejuízos permanentes que a maconha pode causar após o uso pesado durante muito tempo, quinze anos, por exemplo. Os achados não são conclusivos; não se pôde por enquanto confirmar nem descartar efeitos como a síndrome amotivacional. Os testes neuropsicológicos não puderam detectar prejuízos assim como os testes de imagens também não. A ausência de alterações nos exames não pode ser considerada como ausência de prejuízo. Pode ser que não haja nenhum, o que é pouco provável, pode ser que só aconteça numa parte dos usuários, ou pode ser que nossos instrumentos e técnicas de pesquisa ainda não sejam capazes de localizar o problema. Sabemos que o cérebro de uma pessoa com profundo retardo mental é absolutamente normal sob todos os exames de imagem e histopatológicos, mas é evidente que essa normalidade não corresponde à realidade dessas pessoas severamente afetadas pelo retardo.

Efeitos Psicológicos

Um indivíduo de classe social média, saudável, com boa perspectiva de trabalho é o perfil do usuário mais freqüente de uso de maconha, embora a disseminação nas classes mais baixas esteja se alastrando. Geralmente esses indivíduos acreditam que não têm nada a perder experimentando a maconha. O resultado imediato do uso é positivo: torna-se mais aceito em seu grupo, se beneficia dos efeitos e inicialmente não há prejuízos em nenhuma área de sua vida. Assim sendo para quem não acreditava que não tinha nada a perder passa a ter algo a ganhar: a ligação com o uso passa a ser contínua com a permanente sensação de que pode parar o consumo da maconha quando quiser. Essas são as situações mais comuns no início e na manutenção do uso.

A formação da personalidade, dos hábitos e do comportamento é derivada dos valores e dos próprios hábitos ensinados. Quando o uso da maconha é realizado na fase de formação dos valores, o valor da maconha por fazer parte da rotina, dos pensamentos, dos planos e desejos constitui-se num valor, queira-se ou não. Todo valor tem uma hierarquia e o comportamento das pessoas é decorrente desses valores e dessa hierarquia. Quanto mais ligada à vida da pessoa, mais elevado o valor da maconha. Amizades podem ser perdidas, namoros terminados, planos como uma faculdade podem ser comprometidos. Quando a maconha é uma companheira inseparável ela faz com que as companhias que a rejeitam sejam rejeitadas pelo usuário. Quem rejeita a maconha são as pessoas que enfrentam os problemas e as dificuldades da vida de mente sóbria. Por outro lado, como em todos os grupos sociais, há uma busca pelo semelhante, então o usuário da maconha aceita e é aceito por outros usuários, que também têm por hábito fugir da realidade. A constituição desses grupos reforça a certeza de que consumir maconha é a coisa certa, anestesiando o lado da personalidade que precisaria se desenvolver, que é a capacidade de suportar frustrações sem desanimar, sem desistir. O consumo constante de maconha faz com que a pessoa assuma em atos, mas não necessariamente com palavras, que a maconha é uma das coisas mais importantes da vida dele. Depois de alguns anos de uso, independentemente dos efeitos biológicos, a maconha assumia uma posição na hierarquia de valores bastante nociva. Possuir uma hierarquia de valores significa que só um valor pode estar em primeiro lugar, só um valor pode estar em segundo lugar, só um valor pode estar em terceiro lugar, assim sucessivamente. Quando um usuário de maconha passa a ter sucesso nos estudos torna-se objeto de referência para o grupo, todos acreditam que se fulano venceu apesar de fumar, cada um pode vencer também e se fracassar não será por causa da maconha. Essas deduções são tiradas de forma imediata, mas estamos falando do que acontece ao longo dos anos. Vencer na vida não é vencer uma só batalha, mas lutar sempre. Essa disposição é incompatível com fumar maconha freqüentemente. Quando uma pessoa experimenta o sabor da vitória pelo seu próprio esforço tende a deixar o uso da maconha por perceber que a vitória na vida é mais saborosa. Há personalidades em nossos dias que alcançaram elevado destaque no cenário nacional, por merecimentos próprios e justos, tendo eles sido usuários de maconha. Esses, freqüentemente, são usados como exemplos de que fumar não fará mal. A diferença é que essas pessoas abandonaram ou quase isso, quando alcançaram o sucesso. Aqueles que alcançam o sucesso e continuam usando a maconha têm muito mais chances de perderem o que conquistaram, do que aqueles que abandonaram o uso, substituíram o valor da maconha por outro melhor.

Motivações

Por que fumar maconha? Os motivos são basicamente os mesmos para a maioria dos usuários. Numa pesquisa com 345 usuários de maconha foram feitas várias perguntas a respeito dos motivos porque geralmente se usa a maconha. Os mais freqüentes estão abaixo relacionados.

Relaxar 96,8%

Curtir os efeitos 90,7%

Melhorar o desempenho na prática de jogos, esportes e música 72,8%

Superar aborrecimentos 70,1%

Ajudar a dormir 69,6%

Sentir-se melhor 69,0%

Síndrome Amotivacional

Esta síndrome é caracterizada por apatia, dificuldade de concentração, isolamento social, perda no interesse em novas aquisições. Suspeita-se que isso possa ser decorrente de uma diminuição do fluxo sanguíneo cerebral provocado pela maconha usada durante muitos anos.

Uso Medicinal

O uso do delta 9 tetrahidrocanabinol (originária da planta Cannabis sativa), o princípio ativo da maconha, ou farmaceuticamente denominada canabis, vem sendo ultimamente defendido para uso no controle da dor crônica e do enjôo causado por tratamentos para câncer. Nesse tema, contudo, misturam-se motivos e ideologias pessoais para se aprovar ou desaprovar. Essas bases de conduta são frágeis e geralmente desrespeitadas. Somente um motivo externo poderá pôr fim a discussão: a pesquisa dos benefícios sobre os custos. Seria reprovável, sob pretexto de uso medicinal, aprovar uma substância para ser na verdade usada de forma recreativa. No Brasil existe um sério problema quanto ao uso de anorexígenos usados para o tratamento da obesidade mórbida: apenas 10% dessas medicações seguem as vias legais, o restante encontra-se no mercado paralelo causando sérios problemas sociais e pessoais. Liberar uma substância reconhecidamente como psicotrópico, ainda que não seja para essa finalidade, poderá causar o mesmo problema que enfrentamos com os anorexígenos.

A forma imparcial e confiável de se verificar a vantagem do uso medicinal da maconha é através da pesquisa científica. Um trabalho publicado em julho de 2001 comparando o efeito analgésico da maconha aos demais analgésicos no mercado não encontrou vantagens da introdução da maconha com esse fim. Uma indústria farmacêutica antes de lançar uma medicação no mercado precisa constatar uma vantagem objetiva, seja pelo custo seja pelos benefícios ou menores efeitos colaterais. Sem isso a comercialização não é permitida.

http://www.psicosite.com.br/tra/drg/cannabis.htm

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  • Usuário Growroom

To precisando voltar a época de baseado só de fim de semana, ultimamente tenho fumado todos os dias... 2~3 becks por dia, to querendo dar um time, dar uma purificada no corpo e poder sentir as brisas fortes novamente...

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  • Usuário Growroom

To precisando voltar a época de baseado só de fim de semana, ultimamente tenho fumado todos os dias... 2~3 becks por dia, to querendo dar um time, dar uma purificada no corpo e poder sentir as brisas fortes novamente...

essa é a melhor coisa q tu pode fazer.....fim de semana

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  • Usuário Growroom

semana passada, foi a primeira vez q eu fiz uso quase todo dia

fiquei com uma estiga nos dias seguintes

mais agora voltei ao meu normal, q eh fumar soh em ocasiões e sempre com motivo de conversar com alguem, nunca como "fuga"

legal o texto

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  • 1 month later...
  • Usuário Growroom

eai galera,

Bom pra começa axei muito bom esse topico pois eu iria postar uma resportagem feita pela revista superinteressante você colocou muitas coisas mas para complementar vou postar aqui junto com você para ajudar um pouco também nessa consciencia que muitos deveriam ter antes de descriminar ou julgar alguem pelo uso da maconha.

Por que a maconha é proibida?

Por Revista Superinteressante - Agosto 2002 27/10/2004 às 19:31

Poucos assuntos dão margem a tanta mentira,tanta

deturpação, tanta desinformação. Afinal, quais os

verdadeiros motivos por trás da proibição da maconha?

A droga faz mal ou não?

Por que a maconha é proibida? Porque faz mal à saúde.

Será mesmo?

Reportagem da Revista Superinteressante

Poucos assuntos dão margem a tanta mentira,tanta

deturpação, tanta desinformação. Afinal, quais os

verdadeiros motivos por trás da proibição da maconha?

A droga faz mal ou não?

Por que a maconha é proibida? Porque faz mal à saúde.

Será mesmo?

Então, por que o bacon não é proibido? Ou as

anfetaminas? E, diga-se de passagem, nenhum mal sério

à saúde foi comprovado para o uso esporádico de

maconha.

A guerra contra essa planta foi motivada muito mais

por fatores raciais, econômicos, políticos e morais do

que por argumentos científicos.

E algumas dessas razões são inconfessáveis. Tem a ver

com o preconceito contra árabes, chineses, mexicanos e

negros, usuários freqüentes de maconha no começo do

século XX.

Deve muito aos interesses de indústrias poderosas dos

anos 20, que vendiam tecidos sintéticos e papel e

queriam se livrar de um concorrente, o cânhamo.

Tem raízes também na bem-sucedida estratégia de

dominação dos Estados Unidos sobre o planeta.

E, é claro, guarda relação com o moralismo

judaico-cristão (e principalmente

protestante-puritano), que não

aceita a idéia do prazer sem merecimento – pelo mesmo

motivo, no passado, condenou-se a masturbação.

POR QUE É PROIBIDO? Parte 1 – Sede de Poder

"O corpo esmagado da menina jazia espalhado na calçada

um dia depois de mergulhar do quinto andar de um

prédio de apartamentos em Chicago. Todos disseram que

ela tinha se suicidado, mas, na verdade, foi

homicídio.

O assassino foi um narcótico conhecido na América como

marijuana e na história como haxixe.

Usado na forma de cigarros, ele é uma novidade nos

Estados Unidos e é tão perigoso quanto uma cascavel."

Começa assim a matéria "Marijuana: assassina de

jovens", publicada em 1937 na revista American

Magazine.

A cena nunca aconteceu. O texto era assinado por um

funcionário do governo chamado Harry Anslinger.

Se a maconha, hoje, é ilegal em praticamente todo o

mundo, não é exagero dizer que o maior responsável foi

ele.

Nas primeiras décadas do século XX, a maconha era

liberada, embora muita gente a visse com maus olhos.

Aqui no Brasil, maconha era "coisa de negro", fumada

nos terreiros de candomblé para facilitar a

incorporação e nos confins do país por agricultores

depois do trabalho.

Na Europa, ela era associada aos imigrantes árabes e

indianos e aos incômodos intelectuais boêmios.

Nos Estados Unidos, quem fumava eram os cada vez mais

numerosos mexicanos – meio milhão deles cruzaram o Rio

Grande entre 1915 e 1930

em busca de trabalho. Muitos não acharam.

Ou seja, em boa parte do Ocidente, fumar maconha era

relegado a classes marginalizadas e visto com

antipatia pela classe média branca.

Pouca gente sabia, entretanto, que a mesma planta que

fornecia fumo às classes baixas tinha enorme

importância econômica. Dezenas de remédios – de

xaropes para tosse a pílulas para dormir – continham

cannabis.

Quase toda a produção de papel usava como

matéria-prima a fibra do cânhamo, retirada do caule do

pé de maconha. A indústria de tecidos também dependia

da cannabis - o tecido de cânhamo era muito difundido,

especialmente para fazer cordas, velas de barco, redes

de pesca e outros produtos que exigissem um material

muito resistente.

A Ford estava desenvolvendo combustíveis e plásticos

feitos a partir do óleo da semente de maconha. As

plantações de cânhamo tomavam

áreas imensas na Europa e nos Estados Unidos.

Em 1920, sob pressão de grupos religiosos

protestantes, os Estados Unidos decretaram a proibição

da produção e da comercialização de bebidas

alcoólicas. Era a Lei Seca, que durou até 1933.

Foi aí que Henry Anslinger surgiu na vida pública

americana – reprimindo o tráfico de rum que vinha das

Bahamas. Foi aí, também, que a maconha entrou na vida

de muita gente - e não só dos mexicanos.

"A proibição do álcool foi o estopim para o 'boom' da

maconha", afirma o historiador inglês Richard

Davenport-Hines, especialista na história dos

narcóticos, em seu livro The Pursuit of Oblivion (A

busca do esquecimento, ainda sem versão para o

Brasil). "Na medida em que

ficou mais difícil obter bebidas alcoólicas e elas

ficaram mais caras e piores, pequenos cafés que

vendiam maconha começaram a proliferar", escreveu.

Anslinger foi promovido a chefe da Divisão de Controle

Estrangeiro do Comitê de Proibição e sua tarefa era

cuidar do contrabando de bebidas. Foi nessa época que

ele percebeu o clima de antipatia contra a maconha que

tomava a nação. Clima esse que só piorou com a quebra

da Bolsa, em 1929, que afundou a nação numa recessão.

No sul do país, corria o boato de que a droga dava

força sobre-humana aos mexicanos, o que seria uma

vantagem injusta na disputa pelos escassos empregos. A

isso se somavam insinuações de que a droga induzia ao

sexo promíscuo (muitos mexicanos talvez tivessem mais

parceiros que um americano puritano médio, mas isso

não tem nada a ver com a maconha) e ao crime (com a

crise, a criminalidade aumentou entre os mexicanos

pobres, mas a maconha é inocente disso).

Baseados nesses boatos, vários Estados começaram a

proibir a substância. Nessa época, a maconha virou a

droga de escolha dos músicos de jazz, que afirmavam

ficar mais criativos depois de fumar.

Anslinger agarrou-se firme à bandeira

proibicionista,batalhou para divulgar os mitos

antimaconha e, em 1930, quando o governo, preocupado

com a cocaína e o ópio, criou o FBN (Federal Bureau of

Narcotics, um

escritório nos moldes do FBI para lidar com drogas),

ele articulou para chefiá-lo. De repente, de um cargo

burocrático obscuro, Anslinger passou a ser o

responsável pela política de drogas do país. E quanto

mais substâncias fossem proibidas, mais poder ele

teria.

POR QUE É PROIBIDO? Parte 2 – Fibras sintéticas e

papel

Mas é improvável que a cruzada fosse motivada apenas

pela sede de poder. Outros interesses devem ter

pesado. Anslinger era casado com a sobrinha de Andrew

Mellon, dono da gigante petrolífera Gulf Oil e um dos

principais investidores da igualmente gigante Du Pont.

"A Du Pont foi uma das maiores responsáveis por

orquestrar a destruição da indústria do cânhamo",

afirma o escritor Jack Herer, em seu livro The Emperor

Wears No Clothes (O imperador está nu, ainda sem

tradução).

Nos anos 20, a empresa estava desenvolvendo vários

produtos a partir do petróleo: aditivos para

combustíveis, plásticos, fibras sintéticas como o

náilon e processos químicos para a fabricação de papel

feito de madeira.

Esses produtos tinham uma coisa em comum: disputavam o

mercado com o cânhamo. Seria um empurrão considerável

para a nascente indústria de

sintéticos se as imensas lavouras de cannabis fossem

destruídas, tirando a fibra do cânhamo e o óleo da

semente do mercado.

"A maconha foi proibida por interesses econômicos,

especialmente para abrir o mercado das fibras naturais

para o náilon", afirma o jurista Wálter Maierovitch,

especialista em tráfico de entorpecentes e

ex-secretário nacional antidrogas.

Anslinger tinha um aliado poderoso na guerra contra a

maconha: William Randolph Hearst, dono de uma imensa

rede de jornais. Hearst era a pessoa mais influente

dos Estados Unidos.

Milionário, comandava suas empresas de um castelo

monumental na Califórnia, onde recebia artistas de

Hollywood para passear pelo

zoológico particular ou dar braçadas na piscina

coberta adornada com estátuas gregas.

Foi nele que Orson Welles se inspirou para criar o

protagonista do

filme Cidadão Kane. Hearst sabidamente odiava

mexicanos. Parte desse ódio talvez se devesse ao fato

de que, durante a Revolução Mexicana de 1910, as

tropas de Pancho Villa (que, aliás, faziam uso

freqüente de maconha) desapropriaram uma enorme

propriedade sua.

Sim, Hearst era dono de terras e as usava para plantar

eucaliptos e outras árvores para produzir papel. Ou

seja, ele também tinha interesse em que a maconha

americana fosse destruída – levando com

ela a indústria de papel de cânhamo.

Hearst iniciou, nos anos 30, uma intensa campanha

contra a maconha. Seus jornais passaram a publicar

seguidas matérias sobre a droga, às vezes afirmando

que a maconha fazia os mexicanos estuprarem mulheres

brancas, outras noticiando que 60% dos crimes eram

cometidos sob efeito da droga (um número tirado

sabe-se lá de onde).

Nessa época, surgiu a história de que o fumo mata

neurônios, um mito repetido até hoje.

Foi Hearst que, se não inventou, ao menos popularizou

o nome marijuana (ele queria uma palavra que soasse

bem hispânica, para permitir a associação direta entre

a droga e os mexicanos).

Anslinger era presença constante nos jornais de

Hearst, onde contava suas histórias de terror. A

opinião pública ficou apavorada. Em 1937, Anslinger

foi ao Congresso dizer que, sob o efeito da maconha,

"algumas pessoas embarcam numa raiva delirante e

cometem crimes

violentos".

Os deputados votaram pela proibição do cultivo, da

venda e do uso da cannabis, sem levar em conta as

pesquisas que afirmavam que a substância era segura.

Proibiu-se não apenas a droga, mas a planta. O homem

simplesmente cassou o direito da espécie Cannabis

sativa de existir.

POR QUE É PROIBIDO? Parte 3 – Controle Social

Anslinger também atuou internacionalmente. Criou uma

rede de espiões e passou a freqüentar as reuniões da

Liga das Nações, antecessora da ONU, propondo tratados

cada vez mais duros para reprimir o tráfico

internacional.

Também começou a encontrar líderes de vários países e

a levar a eles os mesmos argumentos aterrorizantes que

funcionaram com os americanos.

Não foi difícil convencer os governos – já na década

de 20 o Brasil adotava leis federais antimaconha. A

Europa também embarcou na onda proibicionista.

"A proibição das drogas serve aos governos porque é

uma forma de controle social das minorias", diz o

cientista político Thiago Rodrigues, pesquisador do

Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre

Psicoativos. Funciona assim: maconha é coisa de

mexicano, mexicanos são uma classe incômoda. "Como não

é possível proibir alguém de ser mexicano, proíbe-se

algo que seja típico dessa etnia", diz Thiago.

Assim, é possível manter sob controle todos os

mexicanos - eles estarão sempre ameaçados de cadeia.

Por isso a proibição da maconha fez tanto sucesso no

mundo.

O governo brasileiro achou ótimo mais esse instrumento

para manter os negros sob controle.

Os europeus também adoraram poder enquadrar seus

imigrantes.

A proibição foi virando uma forma de controle

internacional por parte dos Estados Unidos,

especialmente depois de 1961, quando uma convenção da

ONU determinou que as drogas são ruins para a saúde e

o bem-estar da humanidade e, portanto, eram

necessárias ações coordenadas e universais para

reprimir seu uso.

"Isso abriu espaço para intervenções militares

americanas", diz Maierovitch. "Virou um pretexto

oportuno para que os americanos possam entrar em

outros países e exercer os seus interesses

econômicos."

Estava erguida uma estrutura mundial interessada em

manter as drogas na ilegalidade, a maconha entre elas.

Um ano depois, em 1962, o presidente John Kennedy

demitiu Anslinger – depois de nada menos que 32 anos à

frente do FBN. Um grupo formado para analisar os

efeitos da droga concluiu que os riscos da maconha

estavam sendo exagerados e que a tese de que ela

levava a drogas mais pesadas era furada.

Mas não veio a descriminalização. Pelo contrário. O

presidente

Richard Nixon endureceu mais a lei, declarou "guerra

às drogas" e criou o DEA (em português, Escritório de

Coação das Drogas), um órgão ainda mais poderoso que o

FBN, porque, além de definir políticas, tem poder de

polícia.

MACONHA FAZ MAL?

Taí uma pergunta que vem sendo feita faz tempo. Depois

de mais de um século de pesquisas, a resposta mais

honesta é: faz, mas muito pouco e só para casos

extremos. O uso moderado não faz mal.

A preocupação da ciência com esse assunto começou em

1894, quando a

Índia fazia parte do Império Britânico. Havia, então,

a desconfiança de que o bhang, uma bebida à base de

maconha muito comum na Índia, causava demência.

Grupos religiosos britânicos reivindicavam sua

proibição.

Formou-se a Comissão Indiana de Drogas da Cannabis,

que passou dois anos investigando o tema. O relatório

final desaconselhou a proibição: "O bhang é quase

sempre inofensivo quando usado com moderação e, em

alguns casos, é benéfico. O abuso do bhang é menos

prejudicial que o abuso do álcool".

Em 1944, um dos mais populares prefeitos de Nova York,

Fiorello La Guardia, encomendou outra pesquisa. Em

meio à histeria antimaconha de Anslinger, La Guardia

resolveu conferir quais os reais riscos da tal droga

assassina.

Os cientistas escolhidos por ele fizeram testes com

presidiários (algo comum na época) e concluíram: "O

uso prolongado da droga não leva à

degeneração física, mental ou moral". O trabalho

passou despercebido no meio da barulheira

proibicionista de Anslinger.

A partir dos anos 60, várias pesquisas parecidas foram

encomendadas por outros governos. Relatórios

produzidos na Inglaterra, no Canadá e nos Estados

Unidos aconselharam um afrouxamento nas leis. Nenhuma

dessas pesquisas foi suficiente para forçar uma

mudança.

Mas a experiência mais reveladora sobre a maconha e

suas conseqüências foi realizada fora do laboratório.

Em 1976, a Holanda decidiu parar de prender usuários

de maconha desde que eles comprassem a droga em cafés

autorizados. Resultado: o índice de usuários continua

comparável aos de outros países da Europa. O de jovens

dependentes de heroína caiu - estima-se que, ao tirar

a maconha da mão dos traficantes, os holandeses

separaram essa droga das mais pesadas e, assim,

dificultaram o acesso a elas.

Nos últimos anos, os possíveis males da maconha foram

cuidadosamente escrutinados – às vezes por

pesquisadores competentes, às vezes por gente mais

interessada em convencer os outros da sua opinião.

Veja abaixo um resumo do que se sabe:

Câncer - Não se provou nenhuma relação direta entre

fumar maconha e câncer de pulmão, traquéia, boca e

outros associados ao cigarro. Isso não quer dizer que

não haja. Por muito tempo, os riscos do cigarro foram

negligenciados e só nas últimas duas décadas ficou

claro que havia uma bomba-relógio armada - porque os

danos só se manifestam depois de décadas de uso

contínuo.

Há o temor de que uma bomba semelhante esteja para

explodir no caso da maconha, cujo uso se popularizou a

partir dos anos 60. O que se sabe é que o cigarro de

maconha tem praticamente a mesma composição de um

cigarro comum – a única diferença significativa é o

princípio ativo.

No cigarro é a nicotina, na maconha o

tetrahidrocanabinol, ou THC.

Também é verdade que o fumante de maconha tem

comportamentos mais arriscados que o de cigarro: traga

mais profundamente, não usa filtro e segura a fumaça

por mais tempo no pulmão (o que, aliás, segundo os

cientistas, não aumenta os efeitos da droga).

Em compensação, boa parte dos maconheiros fuma muito

menos e pára ou reduz o consumo depois dos 30 anos

(parar cedo é sabidamente uma forma de diminuir

drasticamente o risco de câncer).

Em resumo: o usuário eventual de maconha, que é o mais

comum, não precisa se preocupar com um aumento grande

do risco de câncer.

Quem fuma mais de um baseado por dia há mais de 15

anos deve pensar em parar.

Dependência - Algo entre 6% e 12% dos

usuários,dependendo da pesquisa, desenvolve um uso

compulsivo da maconha (menos que a metade das taxas

para álcool e tabaco). A questão é: será que a maconha

é a causa da

dependência ou apenas uma válvula de escape.

"Dependência de maconha não é problema da substância,

mas da pessoa", afirma o psiquiatra Dartiu Xavier,

coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a

Dependentes da Escola Paulista de Medicina.

Segundo Dartiu, há um perfil claro do dependente de

maconha: em geral, ele é jovem, quase sempre ansioso e

eventualmente depressivo. Pessoas que não se encaixam

nisso não desenvolvem o vício. "E as que se encaixam

podem tanto ficar dependentes de maconha quanto de

sexo, de jogo, de internet", diz.

Muitos especialistas apontam para o fato de que a

maconha está ficando mais perigosa – na medida em que

fica mais potente. Ao longo dos últimos 40 anos, foi

feito um melhoramento genético, cruzando plantas com

alto teor de THC. Surgiram variedades como o skunk.

No último ano, foram apreendidos carregamentos de

maconha alterada geneticamente no Leste europeu – a

engenharia genética é usada para aumentar a potência,

o que poderia aumentar o potencial de dependência.

Segundo o farmacólogo Leslie Iversen, autor do ótimo

The Science

of Marijuana (A ciência da maconha, sem tradução para

o português) e consultor para esse tema da Câmara dos

Lordes (o Senado inglês), esses temores são exagerados

e o aumento da concentração de THC não foi tão grande

assim.

Para além dessa discussão, o fato é que, para quem é

dependente, maconha faz muito mal. Isso é

especialmente verdade para crianças e adolescentes. "O

sujeito com 15 anos não está com a personalidade

formada. O uso exagerado de maconha pode ser muito

danoso a ele", diz Dartiu. O maior risco para

adolescentes que fumam maconha é a síndrome

amotivacional, nome que se dá à completa perda de

interesse que a droga causa em algumas pessoas. A

síndrome amotivacional é muito mais freqüente em

jovens e realmente atrapalha a vida – é quase certeza

de bomba na escola e de crise na família.

Danos cerebrais - "Maconha mata neurônios." Essa

frase, repetida há décadas, não passa de mito. Bilhões

de dólares foram investidos para comprovar que o THC

destrói tecido cerebral – às vezes com pesquisas que

ministravam doses de elefante em ratinhos –, mas nada

foi encontrado.

Muitas experiências foram feitas em busca de danos nas

capacidades cognitivas do usuário de maconha. A maior

preocupação é com a memória. Sabe-se que o usuário de

maconha, quando fuma, fica com a memória de curto

prazo prejudicada.

São bem comuns os relatos de pessoas que têm idéias

que parecem geniais durante o "barato", mas não

conseguem lembrar-se de nada no

momento seguinte. Isso acontece porque a memória de

curto prazo funciona mal sob o efeito de maconha e,

sem ela, as memórias de longo prazo não são fixadas (é

por causa desse "desligamento" da memória que o

usuário perde a noção do tempo).

Mas esse dano não é permanente. Basta ficar sem fumar

que tudo volta a

funcionar normalmente. O mesmo vale para o raciocínio,

que fica mais lento quando o usuário fuma muito

freqüentemente.

Há pesquisas com usuários "pesados" e antigos, aqueles

que fumam vários baseados por dia há mais de 15 anos,

que mostraram que eles se saem um pouco pior em alguns

testes, principalmente nos de memória e de atenção. As

diferenças, no entanto, são sutis. Na comparação com o

álcool, a maconha leva grande vantagem: beber muito

provoca danos cerebrais irreparáveis e destrói a

memória.

Coração - O uso de maconha dilata os vasos sangüíneos

e, para compensar, acelera os batimentos cardíacos.

Isso não oferece risco para a maioria dos usuários,

mas a droga deve ser evitada por quem sofre do

coração.

Infertilidade - Pesquisas mostraram que o usuário

freqüente tem o número de espermatozóides reduzido.

Ninguém conseguiu provar que isso possa causar

infertilidade, muito menos impotência. Também está

claro que os espermatozóides voltam ao normal quando

se pára de fumar.

Depressão imunológica - Nos anos 70, descobriu-se que

o THC afeta os glóbulos brancos, células de defesa do

corpo. No entanto, nenhuma pesquisa encontrou relação

entre o uso de maconha e a incidência de infecções.

Loucura - No passado, acreditava-se que maconha

causava demência. Isso não se confirmou, mas sabe-se

que a droga pode precipitar crises em quem já tem

doenças psiquiátricas.

Gravidez - Algumas pesquisas apontaram uma tendência

de filhos de mães que usaram muita maconha durante a

gravidez de nascer com menor peso. Outras não

confirmaram a suspeita. De qualquer maneira, é melhor

evitar qualquer droga psicoativa durante a gestação.

Sem dúvida, a mais perigosa delas é o álcool.

No geral, não. A maioria das pessoas não gosta dos

efeitos e as afirmações de que a erva, por ser

"natural", faz bem, não passam de besteira. Outros

adoram e relatam que ela ajuda a aumentar a

criatividade, a relaxar, a melhorar o humor, a

diminuir a ansiedade. É inevitável: cada um é um.

O uso medicinal da maconha é tão antigo quanto a

maconha. Hoje há muitas pesquisas com a cannabis para

usá-la como remédio. Segundo o farmacólogo inglês

Iversen, não há dúvidas de que ela seja um remédio

útil para muitos e fundamental para alguns, mas há um

certo exagero sobre seus potenciais. Em outras

palavras: a maconha não é a salvação da humanidade. Um

dos maiores desafios dos laboratórios é tentar separar

o efeito medicinal da droga do efeito psicoativo – ou

seja, criar uma maconha que não dê "barato".

Muitos pesquisadores estão chegando à conclusão de que

isso é impossível: aparentemente, as mesmas

propriedades químicas que alteram a percepção do

cérebro são responsáveis pelo caráter curativo. Esse

fato é uma das limitações da maconha como medicamento,

já que muitas pessoas não gostam do efeito mental. No

Brasil, assim como em boa parte do mundo, o uso médico

da cannabis é proibido e milhares de pessoas usam o

remédio ilegalmente. Conheça alguns dos usos:

Câncer - Pessoas tratadas com quimioterapia muitas

vezes têm enjôos terríveis, eventualmente tão

terríveis que elas preferem a doença ao remédio. Há

medicamentos para reduzir esse enjôo e eles são

eficientes. No entanto, alguns pacientes não respondem

a nenhum remédio legal e respondem maravilhosamente à

maconha. Era o caso do brilhante escritor e

paleontólogo Stephen Jay Gould, que, no mês passado,

finalmente, perdeu uma batalha de 20 anos contra o

câncer (leia mais sobre ele).

Gould nunca tinha usado drogas psicoativas – ele

detestava a idéia de que interferissem no

funcionamento do cérebro. Veja o que ele disse: "A

maconha funcionou como uma mágica. Eu não gostava do

'efeito colateral' que era o borrão mental. Mas a

alegria cristalina de não ter náusea – e de não

experimentar o pavor nos dias que antecediam o

tratamento – foi o maior incentivo em todos os meus

anos de quimioterapia".

Aids - Maconha dá fome. Qualquer um que fuma sabe

disso (aliás, esse é um de seus inconvenientes: ela

engorda). Nenhum remédio é tão eficiente para

restaurar o peso de portadores do HIV quanto a

maconha.

E isso pode prolongar muito a vida: acredita-se que

manter o peso seja o principal requisito para que um

soropositivo não desenvolva a doença. O problema: a

cannabis tem uma ação ainda pouco compreendida no

sistema imunológico. Sabe-se que isso não representa

perigo para pessoas saudáveis, mas pode ser um risco

para doentes de Aids.

Esclerose múltipla - Essa doença degenerativa do

sistema nervoso é terrivelmente incômoda e fatal. Os

doentes sentem fortes espasmos musculares, muita dor e

suas bexigas e intestinos funcionam muito mal.

Acredita-se que ela seja causada por uma má função do

sistema imunológico, que faz com que as células de

defesa ataquem os neurônios. A maconha alivia todos os

sintomas. Ninguém entende bem por que ela é tão

eficiente, mas especula-se que tenha a ver com seu

pouco compreendido efeito no sistema imunológico.

Dor - A cannabis é um analgésico usado em várias

ocasiões. Os relatos de alívio das cólicas menstruais

são os mais promissores.

Glaucoma - Essa doença caracteriza-se pelo aumento da

pressão do líquido dentro do olho e pode levar à

cegueira. Maconha baixa a pressão intraocular. O

problema é que, para ser um remédio eficiente, a

pessoa tem que fumar a cada três ou quatro horas, o

que não é prático e, com certeza, é nocivo (essa dose

de maconha deixaria o paciente eternamente "chapado").

Há estudos promissores com colírios feitos à base de

maconha, que agiriam diretamente no olho, sem afetar o

cérebro.

Ansiedade - Maconha é um remédio leve e pouco

agressivo contra a ansiedade. Isso, no entanto,

depende do paciente. Algumas pessoas melhoram após

fumar; outras, principalmente as pouco habituadas à

droga, têm o efeito oposto. Também há relatos de

sucesso no tratamento de depressão e insônia, casos em

que os remédios disponíveis no mercado, embora sejam

mais eficientes, são também bem mais agressivos e têm

maior potencial de dependência.

Dependência - Dois psiquiatras brasileiros, Dartiu

Xavier e Eliseu Labigalini, fizeram uma experiência

interessante. Incentivaram dependentes de crack a

fumar maconha no processo de largar o vício.

Resultado: 68% deles abandonaram o crack e, depois,

pararam espontaneamente com a maconha, um índice

altíssimo. Segundo eles, a maconha é um remédio feito

sob medida para combater a dependência de crack e

cocaína, porque estimula o apetite e combate a

ansiedade, dois problemas sérios para cocainômanos.

Dartiu e Eliseu pretendem continuar as pesquisas, mas

estão com problemas para conseguir financiamento –

dificilmente um órgão público investirá num trabalho

que aposte nos benefícios da maconha.

O PASSADO

O primeiro registro do contato entre o Homo sapiens e

a Cannabis sativa é de 6 000 anos atrás. Trata-se da

marca de uma corda de cânhamo impressa em cacos de

barro, na China. O emprego da fibra, não só em cordas

mas também em vários tecidos e, depois, na fabricação

de papel, é um dos mais antigos usos da maconha.

Graças a ele, a planta, original da região ao norte do

Afeganistão, nos pés do Himalaia, tornou-se a primeira

cultivada pelo homem com usos não alimentícios e

espalhou-se por toda a Ásia e depois pela Europa e

África.

Mas há um uso da maconha que pode ser tão antigo

quanto o da fibra do cânhamo: o medicinal. Os chineses

conhecem há pelo menos 2 000 anos o poder curativo da

droga, como prova o Pen-Ts'ao Ching, considerado a

primeira farmacopéia conhecida do mundo (farmacopéia é

um livro que reúne fórmulas e receitas de

medicamentos).

O livro recomenda o uso da maconha contra

prisão-de-ventre, malária, reumatismo e dores

menstruais.

Também na Índia, a erva já há milênios é parte

integral da medicina ayurvédica, usada no tratamento

de dezenas de doenças. Sem falar que ela ocupa um

lugar de destaque na religião hindu. Pela mitologia,

maconha era a comida favorita do deus Shiva, que, por

isso, viveria o tempo todo "chapado".

Tomar bhang seria uma forma de entrar em comunhão com

Shiva.

O Hinduísmo não é a única religião a dar destaque para

a cannabis.

Para os budistas da tradição Mahayana, Buda passou

seis anos comendo apenas uma semente de maconha por

dia. Sua iluminação teria sido atingida após esse

período de quase-jejum.

Da Índia, a maconha migrou para a Mesopotâmia, ainda

em tempos

pré-cristãos, e de lá para o Oriente Médio. Portanto,

ela já estava presente na região quando começou a

expansão do Império Árabe.

Com a proibição do álcool entre o povo de Maomé,

iniciou-se uma acalorada discussão sobre se a maconha

deveria ser banida também. Por séculos, consumiu-se

cannabis abundantemente nas terras muçulmanas até que,

na Idade Média, muitos islâmicos abandonaram o hábito.

A exceção foram os sufi, membros de uma corrente

considerada mais mística e esotérica do Islã, que, até

bem recentemente, consideravam a cannabis fundamental

em seus ritos.

Os gregos usaram velas e cordas de cânhamo nos seus

navios, assim como, depois, os romanos. Sabe-se que o

Império Romano tinha pelo menos conhecimento dos

poderes psicoativos da maconha.

O historiador latino Tácito, que viveu no século I

d.C., relata que os

citas, um povo da atual Turquia, tinham o costume de

armar uma tenda, acender uma fogueira e queimar grande

quantidade de maconha. Daí ficavam lá dentro, numa

versão psicodélica do banho turco.

Graças ao contato com os árabes, grande parte da

África conheceu a erva e incorporou-a aos seus ritos e

à sua medicina – dos países muçulmanos acima do Saara

até os zulus da África do Sul.

A Europa toda também passou a plantar maconha e usava

extensivamente a

fibra do cânhamo, mas há raríssimos registros do seu

uso como psicoativo naquele continente. Pode ser que

isso se deva ao clima.

O THC é uma resina produzida pela planta para proteger

suas folhas e flores do sol forte. Na fria Europa, é

possível que tenha se desenvolvido uma variação da

Cannabis sativa com menos THC, já que não havia tanto

sol para ameaçar o arbusto.

O fato é que, na Renascença, a maconha se transformou

no principal produto agrícola da Europa. E sua

importância não foi só econômica: a planta teve uma

grande participação na mudança de mentalidade que

ocorreu no século XV.

Os primeiros livros depois da revolução de Gutemberg

foram impressos em papel de cânhamo. As pinturas dos

gênios da arte eram feitas em

telas de cânhamo (canvas, a palavra usada em várias

línguas para designar "tela", é uma corruptela

holandesa do latim cannabis).

E as grandes navegações foram impulsionadas por velas

de cânhamo – segundo o autor americano Rowan Robinson,

autor de O Grande Livro da Cannabis, havia 80

toneladas de cânhamo, contando o velame e as cordas,

no barco comandado por Cristóvão Colombo em 1496. Ou

seja, a América foi descoberta graças à maconha.

Irônico.

Sobre as luzes da Renascença caíram as sombras da

Inquisição – um período em que a Igreja ganhou muita

força e passou a exercer o papel de polícia, julgando

hereges em seu tribunal e condenando bruxas à

fogueira.

"As bruxas nada mais eram do que as curandeiras

tradicionais, principalmente as de origem celta, que

utilizavam plantas para tratar as pessoas, às vezes

plantas com poderes psicoativos", diz o historiador

Henrique Carneiro, especialista em drogas da

Universidade Federal de Ouro Preto.

Não há registros de que maconheiros tenham sido

queimados no século XVI – inclusive porque o uso

psicoativo da maconha era incomum na Europa – , mas é

certo que cristalizou-se naquela época uma antipatia

cristã por plantas que alteram o estado de

consciência.

"O Cristianismo afirmou seu caráter de religião

imperial e, sob seus domínios, a única droga permitida

é o álcool, associado com o sangue de Cristo", diz

Henrique.

Em 1798, as tropas de Napoleão conquistaram o

Egito.Até hoje não estão muito claras as razões pelas

quais o imperador francês se aventurou no norte da

África (vaidade, talvez). Mas pode ser que o principal

motivo

fosse a intenção de destruir as plantações de maconha,

que abasteciam de cânhamo a poderosa Marinha da

Inglaterra.

O fato é que coube a Napoleão promulgar a primeira lei

do mundo moderno proibindo a maconha. Os egípcios eram

fumantes de haxixe, a resina extraída da folha e da

flor da maconha constituída de THC

concentrado. Mas a proibição saiu pela culatra. Os

egípcios ignoraram a lei e continuaram fumando como

sempre fizeram.

Em compensação, os europeus ouviram falar da droga e

ela rapidamente virou moda na Europa, principalmente

entre os intelectuais. "O haxixe está substituindo o

champagne", disse o escritor Théophile Gautier em

1845, depois da conquista da Argélia, que, na época,

era outro grande consumidor de THC.

No Brasil, a planta chegou cedo, talvez ainda no

século XVI, trazida pelos escravos (o nome "maconha"

vem do idioma quimbundo, de Angola. Mas, até o século

XIX, era mais usual chamar a erva de fumo-de-angola ou

de diamba, nome também quimbundo).

Por séculos, a droga foi tolerada no país,

provavelmente fumada em

rituais de candomblé (teria sido o presidente Getúlio

Vargas que negociou a retirada da maconha dos

terreiros, em troca da legalização da religião).

Em 1830, o Brasil fez sua primeira lei restringindo a

planta. A Câmara Municipal do Rio de Janeiro tornou

ilegal a venda e o uso da droga na cidade e determinou

que "os contraventores serão multados, a saber: o

vendedor em 20 000 réis, e os escravos e demais

pessoas, que dele usarem, em três dias de cadeia."

Note que, naquela primeira lei proibicionista, a pena

para o uso era mais rigorosa que a do traficante. Há

uma razão para isso. Ao contrário do que acontece

hoje, o vendedor vinha da classe média branca e o

usuário era quase sempre negro e escravo.

O PRESENTE

Segundo dados da ONU, 147 milhões de pessoas fumam

maconha no mundo, o que faz dela a terceira droga

psicoativa mais consumida do mundo, depois do tabaco e

do álcool.

A droga é proibida em boa parte do mundo, mas, desde

que a Holanda começou a tolerá-la, na década de 70,

alguns outros países europeus seguiram os passos da

descriminalização. Itália e Espanha há tempos aceitam

pequenas quantidades da erva – embora a Espanha esteja

abandonando a posição branda e haja projetos de lei,

na Itália, no mesmo sentido.

O Reino Unido acabou de anunciar que descriminalizou o

uso da

maconha – a partir do ano que vem, a droga será

apreendida e o portador receberá apenas uma

advertência verbal. Os ingleses esperam, assim, poder

concentrar seus esforços na repressão de drogas mais

pesadas.

No ano passado, Portugal endureceu as penas para o

tráfico, mas descriminalizou o usuário de qualquer

droga, desde que ele seja encontrado com quantidades

pequenas. Porte de drogas virou uma

infração administrativa, como parar em lugar proibido.

Nos últimos anos, os Estados Unidos também mudaram sua

forma de lidar com as drogas. Dentro da tendência

mundial de ver a questão mais como um problema de

saúde do que criminal, o país, em vez de botar na

cadeia, obriga o usuário a se tratar numa clínica para

dependentes.

"Essa idéia é completamente equivocada", afirma o

psiquiatra Dartiu Xavier, refletindo a opinião de

muitos especialistas. "Primeiro porque nem todo

usuário é dependente. Segundo, porque um tratamento

não funciona se é compulsório – a pessoa tem que

querer parar", diz. No sistema americano, quem recusa

o tratamento ou o abandona vai para a cadeia.

Portanto, não é uma descriminalização. "Chamo esse

sistema de 'solidariedade autoritária'", diz o jurista

Maierovitch. O Brasil planeja adotar o mesmo modelo.

O FUTURO

Há possibilidades de uma mudança no tratamento à

maconha? "No Brasil, não é fácil", diz Maierovitch,

que, enquanto era secretário nacional antidrogas do

governo de Fernando Henrique Cardoso, planejou a

descriminalização. "A lei hoje em vigor em Portugal

foi feita em conjunto conosco, com o apoio do

presidente", afirma. A idéia é que ela fosse colocada

em prática ao mesmo tempo nos dois países.

Segundo Maierovitch, Fernando Henrique mudou de idéia

depois.

O jurista afirma que há uma enorme influência

americana na política de drogas brasileira. O fato é

que essa questão mais tira do que dá votos e assusta

os políticos – e não só aqui no Brasil. O deputado

federal Fernando Gabeira, hoje no Partido dos

Trabalhadores, é um dos poucos identificados com a

causa da descriminalização. "Pretendo, como um

primeiro passo, tentar a legalização da maconha para

uso médico", diz. Mas suas idéias estão longe de ser

unanimidade mesmo dentro do seu partido.

No remoto caso de uma legalização da compra e da

venda, haveria dois modelos possíveis. Um seria o

monopólio estatal, com o governo plantando e

fornecendo as drogas, para permitir um controle maior.

A outra possibilidade seria o governo estabelecer as

regras (composição química exigida, proibição para

menores de idade, proibição para fumar e dirigir),

cobrar impostos (que seriam altíssimos, inclusive para

evitar que o preço caia muito com o fim do tráfico

ilegal) e a iniciativa privada assumir o lucrativo

negócio. Não há no horizonte nenhum sinal de que isso

esteja para acontecer. Mas a Super apurou, em consulta

ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, que

a Souza Cruz registrou, em 1997, a marca Marley – fica

para o leitor imaginar que produto a empresa de tabaco

pretende comercializar com o nome do ídolo do reggae.

Copyright © Abril S.A.

Superinteressante - agosto 2002

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  • Usuário Growroom

tenho fumado em média 3 ou 4 baseados por final de semana, só tenho fumado fim de semana mesmo, as vezes fumo mais que isso, mas é dificil...

Muito bom e interessante a matéria...

Só mencionar que os efeitos, variam de pessoa pra pessoa, não é igual para todos que usam cannábis, em todos os sentidos podem haver diferenças e semelhanças...

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  • Usuário Growroom

Me veio um questionamento agora, e gostaria que , quem souber, postasse aqui

Vamos na prática.

Fumei um beck hoje!

Pergunta: quanto tempo levará para meu cérebro se recuperar "totalmente", em termos de memória que se perde, atenção, etc, etc?

2 dias? uma semana? um mês?

Pergunto isso só para saber qual é a quantidade certa para se fumar, caso o camarada não queira "pagar nadinha" pelo uso da erva.

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  • Usuário Growroom

Irmão Mistico,

Na realidade a maconha não faz perca de memoria, a ciência explica que quando a maconha é usada sua capacidade de pensar é mais rapida doque falar ou fazer por isso você não lembra doque você estava fazendo ou falando, eu aconselho que você anote e desenhe as coisas que você imagina é assim que faço pois quando estou sem fumar eu desenvolvo tudo oque eu estava pensando quando estava chapado... Essa historia de perca de memoria é mentira principalmente aquela velha historia que "maconha mata os neuronios" isso é bullshit(mentira) ja é comprovado cientificamente que isso não acontece mas se você fumar mais de um em um dia é claro que você fica mais tempo chapado como explica no texto acima que eu postei.

Espero ter ajudado ;) Abraços

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  • Usuário Growroom

Irmão Mistico,

Na realidade a maconha não faz perca de memoria, a ciência explica que quando a maconha é usada sua capacidade de pensar é mais rapida doque falar ou fazer por isso você não lembra doque você estava fazendo ou falando, eu aconselho que você anote e desenhe as coisas que você imagina é assim que faço pois quando estou sem fumar eu desenvolvo tudo oque eu estava pensando quando estava chapado... Essa historia de perca de memoria é mentira principalmente aquela velha historia que "maconha mata os neuronios" isso é bullshit(mentira) ja é comprovado cientificamente que isso não acontece mas se você fumar mais de um em um dia é claro que você fica mais tempo chapado como explica no texto acima que eu postei.

Espero ter ajudado ;) Abraços

Realmente faz sentido, justamente pelo fato de uma das "ressacas" ser a apatia; a preguiça mental para raciocinar e pensar.

Uma vez que a maconha faz o cérebro ficar mais ativo, na falta dele ele tenderia a "descansar", dai possielmente a explicação da indiferença que o indivíduo passa.

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  • Usuário Growroom

Cada um sabe o q faz...

O autor fala q o usuario de cannabis tem menos chance de vencer na vida, mas... o q ele chama de vencer na vida?

Ter mto dinheiro, fama, poder...?

As pessoas q vivem no campo por exemplo, q apenas possuem o alimento q precisam pra comer, seriam fracassadas entao, aos olhos desse babaca?

Ver defeitos na vida dos outro 'e facil, o dificil 'e olhar pra dentro...

Tinha q ser americano esse capitalista do caralho! So vc sabe o q 'e melhor para vc!

FUCK OFF MDF!!!!

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  • Usuário Growroom

Irmão Brigadeiro,

Concordo plenamente com você, eu sou um dos muitos interessados na ciencia da cannabis e como muitos cientistas querem apenas provar que a maconha faz mal e não bem,mas ja obtivemos muitos resultados que ela realmente faz bem ao orgânismo mas sempre relembrando q tbm faz mal por outros lados.... Eu penso que ele não quis dizer q o maconheiro é um fracassado mas teria menas chances de empregos e oportunidades pela maconha ser descriminada por muitos.... é só questão de logica ;)

Abraços.

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  • Usuário Growroom

Estes proibicionistas querem faturar com os maconheiros, uns querem prender, outros querem “tratar”, outros querem multar, mas todos querem faturar $$$.

Um texto preconceituoso, escapista e simplista. É contradição desde o início, acoberta o álcool o tempo todo, nunca vi estes proibicionistas se quer propor a anotação do CPF de quem compra um litro de cachaça, ou coisa que assim, para haver um controle social do álcool (são mais de 27 milhões de brasileiros, 15% da população brasileira, condenados a morte por esta merda engarrafada e vendida aos pobres (envelhecimento de doze anos somente para os ricos, uma redução de danos que exclui os pobres, alvos marcados para morrer na imposição do álcool sobre a maconha).

“Maconha e Cigarro

O uso da maconha não pode ser comparado ao uso do cigarro ou álcool em pequenas quantidades. O cigarro nunca é saudável (imagino que o álcool seja então), mas não possui o efeito psicotrópico da maconha, e é justamente sob este aspecto que fica a diferença. Uma pessoa que use maconha tem como finalidade alcançar um estado diferente do normal; uma pessoa que fume cigarro procura status ou prazer.’

O cigarro não possui o efeito psicotrópico da maconha, mas possui efeito psicotrópico (mais parecido com a cocaína, cafeína, etc), é um estimulante, a nicotina causa morte por overdose em baixas doses (mais ou menos o seguinte, se vc comer um charutão cubano morre de overdose), a nicotina causa forte dependência orgânica, pois age no sistema colinérgico.

Uma pessoa que fuma cigarro procura status ou prazer ou saciar a dependência orgânica, e também para alcançar o estado alterado de consciência que os estimulantes fornecem, um estado diferente do normal, com todos os efeitos dos estimulantes, inclusive a perda de peso tão comentada por quem não quer parar de fumar... Neste particular a nicotina solúvel pode ser melhor do que as anfetaminas para a saúde de quem quer emagrecer (sem ter surto psicótico por causa das anfetaminas, nem insônias, parada cardíaca, epilepsia/convulsão, etc)

Uma pessoa que usa maconha tem como finalidade alcançar um estado diferente do normal, ou buscar status social de ser como os grandes mestres, músicos, divindades, poetas, etc que usavam e usam maconha, ou prazer que a anandamida (literalmente amida do prazer) pode fornecer, dependendo do momento; ou tratar de alguma doença, e neste caso são muitas, desde afrodisíaco, asma, glaucoma, anorexia, náuseas, hipertensão e até combate as células cancerosas do cérebro, enquanto álcool e cigarro não têm praticamente utilidade farmacológica nenhuma (talvez como anti-sépticos, a resina da cannabis tb é ótimo anti-séptico, e não agride a pele, ao contrário). A verdade é que todos que usam drogas recreacionalmente buscam alcançar um estado diferente, uma alteração no estado de consciência. Popularmente quem já teve dor de dente e fumou um e sentiu o alívio sabe se a erva é boa ou não para a dor; nas crises de cólicas menstruais, nas dores de cabeça, e por aí vai. Mesmo assim creio ser um medicamento auxiliar no controle da dor, os estudos para a dor no pós-operatório apontam um resultado positivo. Nas enxaquecas o uso associado com cafeína surte maior efeito, aliás, o uso associado de café e cannabis é ancestral e altamente difundido entre os povos árabes, o que hoje em dia vem a ser mais um motivo político de se manter a maconha proibida, pois a temporada de caça aos negros está dando espaço para a temporrada de caça aos árabes...

Ninguém fuma para sentir-se como num sonho, é um exagero, isto ocorre talvez nos rituais Santo Daime para ter as mirações, e não acho que nestes religiosos exista uma deficiência psicológica e precisem de assistência psicológica; mas para relaxar-se é bem normal usar a planta cannábica, assim como Maracujá, álcool, Artemísia, Camomila, etc.

--

Ainda tenho que escutar isto:

“Sabemos que o cérebro de uma pessoa com profundo retardo mental é absolutamente normal sob todos os exames de imagem e histopatológicos, mas é evidente que essa normalidade não corresponde à realidade dessas pessoas severamente afetadas pelo retardo.’

Fala sério... o que provocou o retardo mental? Se foi falta de oxigênio no nascimento, se é genético, acidentes cardiovarsculares, hidrocefalia etc, em todos estes casos o cérebro está afetado e comprova-se por exames das partes danificadas

---

“Um indivíduo de classe social média, saudável, com boa perspectiva de trabalho é o perfil do usuário mais freqüente de uso de maconha, embora a disseminação nas classes mais baixas esteja se alastrando”

Este é o perfil que os psicólogos/psiquiatras querem “tratar”, afinal todos querem lucrar com a opressão aos maconheiros, mas historicamente é nas classes oprimidas (classe baixa é a mãe!) que o consumo se desenvolve, é tradição afro, vem desde os escravos, foi largamente usada em terreiros de Candomblé, faz parte da cultura, assim como o álcool, mas o álcool é muito prejudicial à saúde, e a saída mais saudável é o uso da diamba ao invés do álcool, por isto vê-se um aumento no consumo mundial, e com a conscientização dos maconheiros está havendo uma queda no consumo entre os menores de idade, espero estar contribuindo para isto, “criança não sua drogas, chega de coco-cola”.

--

É mentira:

Que as pessoas abandonaram a erva quando alcançam o sucesso, o que acontece é que pelo fato, asqueroso, dos maconheiros serem considerados criminosos por usarem o sacramento ancestral, quando estes milhares de artistas, políticos, etc., alcançam a fama não podem dizer que são criminosos, mesmo assim se atrevem a dizer que fumaram até os 50 anos, que só fumam na Holanda, etc.

--

É mentira:

Que se suspeita que a controversa “Síndrome Amotivacional” possa ser decorrente de uma diminuição do fluxo sanguíneo cerebral provocado pela maconha usada durante muitos anos, isto sairia nos exames de autópsia cerebral, e do jeito que os proibicionistas inventam coisas contra a erva, imagina se isto fosse verdade, haveria fotos dos cérebros danificados dos maconheiros espalhados pela rede. Qualquer calmante produz esta tal de Síndrome Amotivacional, mesmo assim ela é rara na diamba, que não é classicamente um calmante, é um agente somatênsico, se estiver calmo, anima; se estiver nervoso, acalma. Apesar de todos sabermos que depois do terceiro baseado costuma advir uma sedação intensa, um grande relaxamento (dependendo da variedade ter mais ou menos THC do que CBN, ou até mesmo o CBD que é um anti-psicótico sem os efeitos colaterais que os tradicionais provocam, afinal, é uma planta, não é uma droga).

-

Basicamente o texto é uma enxurrada de preconceitos, uma salada de inverdades, aliados a falta de citações das fontes, e bastante entremeado com frases chavões contra os maconheiros. Lamentável, no geral, mas quanto à pesquisa achei interessante, “motivações para o uso”: Os mais freqüentes estão abaixo relacionados.

Relaxar 96,8% (disparadamente é o motivo que mais escuto)

Curtir os efeitos 90,7% ( que redundância tautológica)

Melhorar o desempenho na prática de jogos, esportes e música 72,8% (por falar nisto vou fumar um pra escrever mais um conto canábico)

Superar aborrecimentos 70,1% (tem estudos para ser usada na síndrome do estresse pós-traumático)

Ajudar a dormir 69,6% (maravilha, o sono induzido mais próximo do natural, praticamente igual ao natural, e sem provocar a dependência orgânica dos remédios tarja-preta para dormir)

Sentir-se melhor 69,0% (o efeito antidepressivo é bem relatado)

--

“Liberar uma substância reconhecidamente como psicotrópico, ainda que não seja para essa finalidade, poderá causar o mesmo problema que enfrentamos com os anorexígenos.”

A finalidade é muitas vezes psicotrópica: antidepressiva, sonífera, calmante, afrodisíaca.

Então, segundo o pensamento expresso no texto, a maneira de resolver o problema dos anorexígenos é proibir as anfetaminas, que praticamente não possuem utilidade farmacológica, mesmo assim isto não é dito, não se fala em proibir as anfetaminas, nenhum proibicionista se coloca contra o sistema, afinal eles representam o sistema, eles fomentam o preconceito contra os maconheiros (e o ódio que acompanha os preconceitos, e a guerra que acompanha o ódio).

A tônica do discurso é o tempo todo menosprezar os maconheiros, e enaltecer os que não são maconheiros, para finalizar uma última que parece até piada:

“Quem rejeita a maconha são as pessoas que enfrentam os problemas e as dificuldades da vida de mente sóbria.’

Mas poderia dizer:

Quem rejeita a maconha são as pessoas que enfrentam os problemas e as dificuldades da vida usando o álcool e destruindo rapidamente sua saúde mental e física, como aconteceu com os índios e negros que foram forçados a trocar a maconha pelo álcool, que o homem branco impôs com a invasão, perseguição, estupro, escravidão e finalmente com o proibicionismo aos maconheiros, prendendo milhões de pobres pelo mundo afora, e invadindo seus países com a desculpa esfarrapada de que estão preocupados com sua saúde...

Eu acho:

Quem rejeita os maconheiros são as pessoas que não enfrentam os seus problemas e projetam estes nos bodes expiatórios sociais.

Na perspectiva neo-marxista que todo motivo de uma guerra é econômico, esta guerra mundial contra os maconheiros também é mantida por motivos econômicos, vários setores da sociedade faturam alto com os maconheiros, os psicólogos representam certamente um segmento muito interessado em manter a proibição e “tratar” os maconheiros, sendo que somente 10% dos usuários vêem a fazer uso freqüente, e somente10% destes 10% tornam-se usuários crônicos, mas o vício é abandonado com mais facilidade do que para com qualquer outro psicotrópico, isto é notado quando um usuário crônico e saudável fica doente, tendo que parar repentinamente, tipo uma gripe galopante, este não sente nenhuma síndrome orgânica que piore sua saúde ou cause intenso desconforto (cafeína e a dor de cabeça de sua abstinência; nicotina então, nem se fala; álcool, a falta pode levar a morte). Bob fumava uns 90 ao dia!!! Particularmente já conheci uns músicos que fumavam uns 10 ao dia, tocando e compondo o dia todo, comendo bem, mantinham-se sem problemas de memória e de saúde, precisa-se de muita memória para tocar/compor música, ninguém fala nisto? Precisa-se de muita criatividade e sensibilidade para fazer música, a erva sagrada ajuda nestes quesitos.

Mesmo assim assiste razão quanto ao fato de muitos valorizarem a erva como algo sagrado e muito significativo em suas vidas, isto acontece com muitas plantas de poder, com muitos sacramentos, com muitas chaves de auto-conhecimento, e também com muitos passatempos, o uso recreacional, com jogos, músicas e divertimentos.

--- sugestão:

EntÃo, Como VocÊ Vota?

http://www.growroom.net/board/index.php?sh...ic=7092&hl=

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  • Usuário Growroom

Macerai 10x0 Cientista sacana

Falou tudo o q tinha q ser falado!!!

Irmão Brigadeiro,

Concordo plenamente com você, eu sou um dos muitos interessados na ciencia da cannabis e como muitos cientistas querem apenas provar que a maconha faz mal e não bem,mas ja obtivemos muitos resultados que ela realmente faz bem ao orgânismo mas sempre relembrando q tbm faz mal por outros lados.... Eu penso que ele não quis dizer q o maconheiro é um fracassado mas teria menas chances de empregos e oportunidades pela maconha ser descriminada por muitos.... é só questão de logica ;)

Abraços.

Concordo com vc, acho q rolou um pouco de preconceito no texto tb, talvez seja ate desconhecimento por parte do cara...

Valeu

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  • Usuário Growroom

Gostei desse texto :) E gostei das coisas escritas criticando partes dele!

Eu não uso como fuga, uso mais pra sentir os efeitos, e pra soltar a criatividade, pq ela solta minha cabeça

de um jeito engraçado....

As ideias fluem rápido....

E não fumo todo dia, teve uma época que fumava direto, mas eu estava ficando com umas nóias,

de alguém invadir minha casa, ladrão essas coisas, hahaha, ai parei qdo começei a facu, e agora em julho

to fumando de novo, mas não todo dia, se pudesse é provavél q fumaria, pq nas férias não tenho

trabalho para entregar nem nada, coisa que a maconha me tira completamente a paciencia pra fazer essas coisas chatas.... Mas como minha mae tb ta de férias, e fica em casa, so fumo quando ela sai, ou quando eu saio.....

Eu não gosto de fumar no horario das aulas, me da vontade de ir embora, por alguns motivos:

*Não gosto qdo percebem q eu fumei, sei lá sou discreta com essas coisas.

*Me dá vontade de conversar com alguem q esteja chapado, pra curtimos a brisa juntos.

Mas resumindo tudo, eu acho que precisamos sempre ter o controle dos nossos "vicios" e vontades...

Não um controle, por causa da sociedade, mas por causa da sua saude, e tudo mais.

Então acho q fumar todo dia, muitos becks, não é tão baum, assim como ficar bebado todo dia.

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