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Estratégia Polêmica Contra O Abuso De Drogas


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Estratégia polêmica contra o abuso de drogas

  • Professor titular do Departamento de Psicologia da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Carl Hart não acredita em um mundo sem drogas e denuncia o fracasso das atuais políticas na área

JULITA LEMGRUBER

Publicado: 23/11/13 - 14h00
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De jovem problemático a cientista renomado, Hart desafia seus colegas. Eileen Barroso / Divulgação

NOVA YORK - Carl Hart é professor titular do Departamento de Psicologia da Universidade de Columbia, em Nova York, e estuda a questão das drogas desde 1990. Interessado pelo Brasil, arguto pensador e contador de histórias, ele contesta noções convencionais sobre dependência química. Hart virá ao Brasil em 2014 para uma série de conferências.

Carl Hart acaba de publicar o autobiográfico “High price” (Editora Harper Collins), livro que conta a história de um menino que cresceu num bairro pobre e violento de Miami, envolveu-se com toda sorte de pequenos crimes, e finalmente construiu uma carreira respeitada como neurocientista de vanguarda, cujas pesquisas polêmicas têm trazido novas luzes para a relação entre pobreza, drogas e prazer, além de denunciar o fracasso das atuais políticas na área das drogas.

Você menciona em seu livro que, quando as pessoas têm alternativas atraentes nas suas vidas, não escolhem usar drogas de forma autodestrutiva, e que usuários frequentes de drogas são encontrados em todas as classes sociais, mas que a dependência é algo diverso.

No caso do crack, por exemplo, apenas um pequeno percentual dos usuários se comporta de forma perturbadora, o que indica que não é uma determinada propriedade dessa droga que é o problema. O problema é o indivíduo que está usando a droga, sua condição pessoal, social e seu meio ambiente. Eu trabalho com dependentes de drogas num ambiente de laboratório onde eles ficam por seis a sete semanas. Os participantes dessas experiências são predominantemente negros, hispânicos e pobres e o que estamos investigando é o seguinte: podemos fazer com que essas pessoas escolham outras coisas que possam ter significado para elas, outras opções que não as drogas? Muita gente acha que isto é impossível, mas o resultado é que as pessoas, nas nossas experiências, acabam escolhendo outras coisas — de vales para compra de todo tipo de mercadoria a dinheiro vivo. Se podemos fazer com seres humanos, num laboratório, porque não podemos fazer na vida lá fora? Se você não tiver disposição para tentar descobrir o que funciona com cada indivíduo é melhor desistir.

O que você acha da hipótese de que quem faz uso abusivo de drogas não tem força de vontade ou caráter?

Não há qualquer evidência científica que comprove isso. Outra coisa muito comum é dizer que o problema é genético, e para isto também não existe evidência científica. Há pessoas que são dependentes de drogas por causa de uma série de problemas psiquiátricos: depressão, ansiedade, esquizofrenia, etc. e esses problemas precisam ser tratados para se resolver a questão da dependência desta ou daquela droga. Mas a maioria das pessoas que tem problemas com drogas carece de toda sorte de habilidades para lidar com sua vida diária. E isto pode acontecer com os ricos também. São pessoas às quais não foram ensinadas algumas das mais básicas habilidades para lidar com o seu cotidiano como, simplesmente, ter responsabilidade. A verdade é que para essas pessoas, assim como para aquelas muito pobres, a coisa mais atraente é se drogar. E a satisfação que a droga proporciona passa a ser a grande e única fonte de prazer.

Como a ciência pode influenciar a legislação na área das drogas? Os cientistas deveriam manter um diálogo permanente com os legisladores?

É uma pergunta difícil porque em geral os cientistas são pouco articulados. Estamos todos procurando encontrar as pequenas peças do quebra-cabeças e algumas vezes simplesmente não conseguimos nos fazer entender. Vou dar um exemplo: se você é um cientista, trabalhando com drogas nos laboratórios, os políticos vão querer saber quais os efeitos negativos das drogas. Ora, muitos desses cientistas na verdade desconhecem as complexidades da condição humana. É preciso que os cientistas que falam com legisladores tenham estudado drogas a partir de uma perspectiva muito ampla — os aspectos sociais, a neurociência, os efeitos positivos das drogas versus os efeitos negativos e, em geral, os cientistas não possuem esta visão mais abrangente.

Qual é a sua estratégia para se fazer ouvir?

Para falar como um cientista você precisa ter credibilidade e isto se adquire publicando regulamente. Como os legisladores estão sempre temerosos de qualquer coisa que possa significar um risco político em potencial, o melhor é sempre falar para o público. Falar em organizações locais, em igrejas, em eventos públicos. Até em nightclubs eu já falei. E você precisa escrever artigos de opinião nos jornais e escrever cartas ao editor. Você tem que ir aonde a ação acontece. Quando as pessoas estão convencidas, os políticos acompanham. Mas os políticos não vão liderar este processo. Mesmo quando eles fazem leis mais duras, estão respondendo a seus eleitores. Assim, como cientistas que querem provocar mudanças, precisamos encontrar quem são esses eleitores e falar para eles. Precisamos ensinar às pessoas e elas exigirão as mudanças que os políticos farão.

Como o apoio financeiro para pesquisas na sua área funciona e como você se relaciona com os órgãos governamentais como o Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) e o Instituto Nacional para a Dependência em Drogas (NIDA, na sigla em inglês)?

O NIH é como uma instituição guarda-chuva com a missão de solucionar patologias. O NIDA é o meu instituto, que sempre financiou minhas pesquisas, mas eles estão focados nas coisas ruins que acontecem por causa das drogas. Quando eu conseguia recursos — e eu não tenho tido muito sucesso recentemente — eu estava procurando achar as respostas para o que fazer com os efeitos terríveis das drogas. Mas, na verdade, enquanto eu considerava estes efeitos terríveis eu me dei conta de que não estava examinando o cenário como um todo. Nas minhas pesquisas eu comecei a ver os efeitos positivos da maconha, da metanfetamina, do MDMA, do crack e da cocaína — o que não quer dizer que essas drogas não possam provocar, potencialmente, efeitos negativos. Mas eu passei a reconhecer as possibilidades das anfetaminas no que diz respeito a estar mais alerta e vigilante, o que é muito importante nos casos de privação do sono ou fadiga; perceber os estimulantes como substâncias importantes para aumentar o desempenho cognitivo e o humor; e a maconha, obviamente, para diminuir dores, os efeitos da quimioterapia e como recurso importante no tratamento do estresse pós-traumático.

Os cientistas brasileiros precisam lidar com o fato de que o apoio financeiro sempre privilegia intervenções relacionadas à abstinência em vez de intervenções de redução de danos. Como resolver isto?

No meu caso, estou gerando meus próprios recursos para pesquisa. Além de recursos da própria universidade, falo em eventos, e a remuneração dessas palestras vai também para minhas pesquisas. Para dizer a verdade, eu me sinto culpado aceitando dinheiro pelas palestras. Minha educação foi paga com recursos dos cidadãos que pagam seus impostos e eu acredito que preciso retribuir isto.

Como superar a forte influência da mentalidade arraigada do “diga não às drogas” tanto nas políticas como nas ações governamentais?

Acreditar que se pode dizer não às drogas é uma grande estupidez, uma visão simplista e perigosa. Drogas de todo tipo sempre fizeram parte da história dos homens e eu não gostaria de viver num mundo sem drogas. Seria um mundo muito entediante, tenso, cheio de ansiedades e depressões. E é sempre bom lembrar que a maior parte das pessoas que usa drogas não abusa das drogas. Falar de um mundo livre de drogas é pura retórica política vazia.

Como você avalia a questão da maconha para uso medicinal?

A maconha para uso medicinal foi legalizada em 20 estados americanos e, a partir de 1 de janeiro de 2014, a maconha para uso recreacional estará legalizada nos estados de Colorado e Washington.

O interesse pela maconha medicinal tem crescido ano a ano nos Estados Unidos. Já se provou que a maconha tem efeitos benéficos em relação a vários problemas de saúde, como a perda do apetite nos casos de Aids, ou para redução da náusea provocada pela quimioterapia. A maconha também vem sendo usada para tratamento do estresse pós-traumático com sucesso. É claro que há outros medicamentos disponíveis para tratar desses problemas, mas a maconha deveria estar incluída entre as opções possíveis.

Há quem defenda a descriminalização, outros a legalização das drogas. Qual a sua posição?

Eu não sou contra a legalização, mas nos Estados Unidos há tanta ignorância sobre a questão das drogas que para qualquer efeito negativo que se venha a atribuir a esta ou aquela droga sempre haverá os que dirão que é por causa da legalização. E, então, alguns dos efeitos bizarros de algumas drogas serão explorados. Eu aposto o que você quiser que logo estarão dizendo que no Colorado e em Washington, estados que legalizaram a maconha recreacional, os jovens estarão fumando mais cedo, terão problemas cognitivos e mais chances de se tornarem dependentes. Por isso tudo, eu sou a favor de caminharmos por etapas e o que podemos fazer, rapidamente, é descriminalizar. Precisamos esclarecer o público sobre todo tipo de efeitos das drogas. Depois podemos começar a falar em legalização.

Julita Lemgruber é socióloga

http://oglobo.globo.com/saude/estrategia-polemica-contra-abuso-de-drogas-10860769

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  • Usuário Growroom

Só num mundo louco matar comerciantes de drogas e prender usuários é menos polêmico do que querer regular, fiscalizar e controlar o mercado das drogas, e tratar usuários problemáticos enquanto se faz conscientização de redução de danos.

To esperando o disco voador vir do meu planeta me buscar até agora.

:very_first_smiley:

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 E é sempre bom lembrar que a maior parte das pessoas que usa drogas não abusa das drogas. 

As pessoas tem uma visão de que o alcool dá para usar sem virar dependendente.

Já as outras drogas, ou voce é viciado ou nao usa. Nao existe meio termo

Espero que esse cara na sua visita ao braziu possa abrir algumas cabeças

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  • Usuário Growroom

 E é sempre bom lembrar que a maior parte das pessoas que usa drogas não abusa das drogas. 
As pessoas tem uma visão de que o alcool dá para usar sem virar dependendente.

Já as outras drogas, ou voce é viciado ou nao usa. Nao existe meio termo

Espero que esse cara na sua visita ao braziu possa abrir algumas cabeças

acho meio complicado.. Um negro de dreads abrir a cabeça dos caretas.. desculpa ah forma como tenho dito.. mas essa eh a real. esse bando de influenciados brasileiros vao julga-lo e discrimina-lo (por ser mais facil, eles sempre opnam por nao pensar!!)

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"Acreditar que se pode dizer não às drogas é uma grande estupidez, uma visão simplista e perigosa. Drogas de todo tipo sempre fizeram parte da história dos homens e eu não gostaria de viver num mundo sem drogas. Seria um mundo muito entediante, tenso, cheio de ansiedades e depressões. E é sempre bom lembrar que a maior parte das pessoas que usa drogas não abusa das drogas. Falar de um mundo livre de drogas é pura retórica política vazia."

Resposta perfeita. É utopia pensar em um Mundo livre de drogas. Sempre houve e sempre haverá o uso de substâncias para alterar o estado mental do homem. Ainda mais em um Mundo tão estressante como o que nós vivemos, no qual quem não se matar trabalhando, vai acabar morrendo de fome. E quem trabalhar duro a vida inteira pra poder sobreviver, vai acabar tendo um infarto aos 50 anos de idade, principalmente se não tiver uma válvula de escape.
Se até alguns animais em situações de grande stress (ou até por diversão) acabam comendo frutas fermentadas ou plantações de ópio (como foi o caso dos búfalos vietnamitas na época da Guerra do Vietnã) para relaxar, porque nós que teoricamente usamos mais o cérebro, exigimos mais dele, afinal somos "racionais", não podemos? É uma grande hipocrisia. E claro, tem muita politicagem por trás, como não podia deixar de ser num Mundo onde as leis são feitas por aqueles que pensam apenas no próprio umbigo e não por especialistas. Não vou ficar comentando muito mais aqui pra não deixar o tópico muito grande, mas me deixa muito puto pensar que enquanto as indústrias do álcool e tabaco faturam bilhões e continuam causando mortes e mais mortes, nós continuamos vivendo na ilegalidade só por que preferimos uma substância que foi proibida graças aos interesses de indústrias que se viram ameaçadas com o enorme potencial "desestressante" e econômico da nossa querida Cannabis.
E pra terminar, só uma dúvida: O que caracteriza uma substância como "droga"? Porque o açúcar não está nas listas de substâncias perigosas, bem como a cafeína, o guaraná? Qual é o critério? A resposta acho que todo mundo aqui sabe... Politicagem, ignorância das massas (leia-se falta de educação) e muita hipocrisia.

OBS: Só pra deixar claro, não sou a favor da proibição de nenhuma das substâncias lícitas que usei como exemplo acima. Sou a favor da regulamentação de todas as drogas, mas sempre levando em conta o grau de periculosidade que ela oferece.

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  • Usuário Growroom

Além de aparecer no Documentário - Weed - Dr Sanjay Gupta - Legendado PT-BR (aos 18:37 minutos) falando sobre sua estratégia contra o abuso de drogas, Carl Hart também foi citado pela reportagem da folha do dia 20/09/2013 com respeito a pesquisa da Fiocruz sobre o consumo do crack e que contesta algumas premissas do atual PLC 37/2013. A reportagem abaixo


Análise: Se tiver alternativa, viciado é capaz de preterir a droga

A pesquisa da Fiocruz sobre o consumo do crack contesta algumas premissas do atual PLC 37/2013, projeto de lei de autoria do deputado Osmar Terra (PMDB-RS) que altera a lei de drogas no país.


A primeira diz respeito ao número de usuários no país: os autores estimam em pouco mais de 700 mil, contra estimativas anteriores de mais de 1 milhão, o que justificaria medidas urgentes.

O segundo toca a proposta de internação compulsória: pelo estudo, 78,9% dos usuários já desejam o tratamento.

Mas há ainda uma pesquisa do neurocientista americano Carl Hart, da Universidade Columbia, em Nova York, que quebra outros paradigmas sobre usuários da droga.
Hart recrutou dependentes com anúncios no periódico "Village Voice" e selecionou quem topasse viver num hospital por algumas semanas.

Toda manhã, os voluntários recebiam uma dose --ora farta, ora modesta-- da droga. E, ao longo do dia, a mesma dose era ofertada ao lado de alternativas como dinheiro ou cupons de compras.

Quando a dose era farta, eles tendiam a escolher a droga. Quando a dose era menor, a tendência se invertia e eles escolhiam dinheiro ou cupom.

Ou seja, quando havia alternativas ao crack, usuários faziam escolhas economicamente racionais, não impulsivas. O experimento sugere que dependentes de crack não perdem a capacidade de fazer escolhas nem veem a droga como algo irresistível.

Para Hart, que analisa esses dados no livro "High Price" (Harper Collins), crucial é o papel do ambiente no uso do crack: sem alternativas, a droga seria muito atraente.
O estudo da Fiocruz aponta que 40% dos usuários brasileiros estavam em situação de rua, 30% começou a usar a droga após problemas familiares e 9% porque tinha uma vida sem perspectivas.

Se as evidências de Hart estiverem certas, a chave para tratá-los pode estar aí.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/09/1344713-analise-se-tiver-alternativa-viciado-e-capaz-de-preterir-a-droga.shtml

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  • Usuário Growroom

acho meio complicado.. Um negro de dreads abrir a cabeça dos caretas.. desculpa ah forma como tenho dito.. mas essa eh a real. esse bando de influenciados brasileiros vao julga-lo e discrimina-lo (por ser mais facil, eles sempre opnam por nao pensar!!)

Pow Kush...suas palavras sao um reflexo do preconceito.

Veja bem, pq um negro de dread nao pode ser o foda no que ele escolheu como profissao?

Eu já acho o contrario, nada melhor que um negro de dreads (bem sucedido, diga-se de passagem) mostrar pra esses banda de cuzao que eles estao errados.

Mas no fundo amigo, a massa é alienavel. Isso é fato. Eu ja vi um monte de fdp, que toma 1 garrafa de uisque sozinho durante uma partida de futebol, botar pra fuder num maluco que acendeu um beck e deu uns pegas (detalhe: esse maluco nao bebe alcool). O que mais vemos sao acidentes dos mais bizarros, principalmente no transito - dai além do senso-comum ainda se pega um arrego na lei que nao tolera agora nem uma gota de cerveja - por pessoas que fazem mal uso dessa droga.

É por isso que certas coisas da minha juventude ate hj eu herdei: gosto de fumar dirigindo e faço questao de apertar boró de 2 sedas e sair de carro feito uma chamine-ambulante. E qnd as pessoas ficam olhando pra mim surpresas com akela brasa gigante eu faço questao de dizer: É MACONHA MEU SR/SRA. MACONHA DA BOA. E vou-me embora...

Fodam-se os caretas alienados parceiro. Antes de qlq coisa, se faz mal ou nao, se fode a pessoa ou nao, devemos ter em mente que o individuo é "livre". Entao se ele ker fumar, injetar, xeirar, enfiar no rabo oq ker q ele keira, deixe o fazer.

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